Arte
e Vida
nascem
até a partir do... lixo!
A cultura consumista que se impôs no Ocidente conseguiu espalhar-se pelo planeta inteiro, chegando até aos mais remotos lugares. O resultado desta colonização cultural está à vista, em todo o lado: as pessoas acabam por fazer compras mais para satisfazer necessidades impostas do que necessidades reais. Deixa-nos perplexos, por exemplo, ver que há pessoas que lutam pela sua sobrevivência diária, no meio de grandes dificuldades, para chegar ao fim do mês com o magro salário que ganham, e que, apesar disso, exibem telemóveis sofisticados – por vezes, tendo até mais que um – para depois virmos a saber que tiveram de os ir depositar na penhora em troca por dinheiro para satisfazer necessidades mais imediatas.
A compulsão para comprar e exibir os bens de consumo conotados com moda e estatuto social – carros de luxo, roupas de marca, gadgets electrónicos – é sintoma de baixa auto-estima e dependência. O desafio é combater essa compulsão promovendo uma visão da vida, uma espiritualidade, que abrace os mais genuínos valores da simplicidade, da solidariedade e da comunhão com a Natureza e os demais seres humanos. O dinheiro e os bens de consumo que ele pode comprar podem contribuir para o nosso bem-estar mas não nos asseguram a felicidade. Sobriedade, domínio e dom de si, verdade, amor, relações pessoais autênticas, comunhão, meditação, empenho de fé podem fazer muito mais pela nossa felicidade.
Texto escrito pela mãe de Flavia. Uma mãe que há quase 10 anos sofre, não só com o sofrer da sua própria filha, Flavia, mas, sobretudo, com a lentidão da "justiça" no Brasil.