A Vida é uma eterna procura.
Este blog é uma viagem interior e o reflexo de uma permanente busca do encontro
com O Deus-Amor, com o próximo, comigo própria...

Enfim, é o espelho de um espírito inquieto.

Pintura de Paul Klee

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Piper


Maravilhosa curta metragem de animação que ganhou esta madrugada um Óscar

Ou uma incrível lição de pedagogia parental...


sábado, 21 de janeiro de 2017

Procurando

«Chamou à sua presença aqueles que entendeu […], para andarem com Ele»


«Toda a noite procurei aquele que o meu coração ama» (Ct 3,1). Quão grande é o bem de procurar a Deus ! Pela minha parte, penso mesmo que não há bem maior. Sendo o primeiro dos dons de Deus, este é também a última etapa. É dom que não se acrescenta a qualquer outra virtude, porque nenhuma lhe é anterior. Pois que virtude poderíamos atribuir àquele que não procura a Deus, e que limite poderíamos pôr à procura de Deus? «Buscai sempre a sua face», diz um salmo (104,4). Creio que, mesmo quando O tivermos encontrado, não cessaremos de O procurar.
Não é a percorrer muitos lugares que procuramos a Deus, mas a desejá-lo. Porque a felicidade de O termos encontrado não apaga o desejo mas, pelo contrário, fá-lo crescer. A consumpção da alegria […] é como azeite no fogo, pois o desejo é uma chama. A alegria será completa (Jo 15,11) mas o desejo não terá fim, nem, portanto, terá fim a procura.

Que cada alma que procura a Deus saiba, porém, que Deus Se lhe antecipou, pois a procurou antes de ela se ter posto a procurá-lo. […] É a isto que vos chama a bondade daquele que Se vos antecipa, esse que, antes de todos, vos procurou, e antes de todos vos amou. Portanto, se não tivésseis sido primeiro procurados, de maneira alguma O procuraríeis; se não tivésseis sido primeiro amados por Ele, de maneira alguma O amaríeis. Não fostes antecipados por uma só graça, mas por duas: pelo amor e pela procura. O amor é a causa da procura; a procura é o fruto do amor, e é também a prova deste. Por causa do amor não temeis ser procurados. E porque fostes procurados não vos queixareis de ser amados em vão.


São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense, doutor da Igreja 
Homilias sobre o Cântico dos Cânticos, n.º 84, 1.5 

Encontrar a Deus...

Não há nada mais prático
Não há nada mais prático
Do que encontrar a Deus;
Do que amá-Lo de um modo absoluto,
E até ao fim.
Aquilo pelo que estejas enamorado
E arrebate a tua imaginação,
Afectará tudo.

Determinará
O que te há-de fazer levantar de manhã
E o que farás dos teus finais de tarde;
Como vais passar os fins de semana,
O que vais ler
A quem deves conhecer;
O que te partirá o coração
E o que te encherá de espanto
Com alegria e gratidão.

Enamora-te, permanece enamorado,
E assim, tudo ficará decidido.
In "Rezar com o Pe. Arrupe"

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Cântico da Esperança


Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.

Não queira eu
que se apaguem as minhas dores, 
mas que saiba dominá-las 
no meu coração.

Não procure eu amigos 

no campo da batalha da vida, 
mas ter forças dentro de mim.

Não deseje eu ansiosamente 

ser salvo, 
mas ter esperança 
para conquistar pacientemente 
a minha liberdade.

Não seja eu tão cobarde, Senhor, 

que deseje a tua misericórdia 
no meu triunfo, 
mas apertar a tua mão 
no meu fracasso!

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Evangelho do dia, in "Evangelho Quotidiano"

Segunda-feira da 12ª semana do Tempo Comum
Evangelho segundo S. Mateus 7,1-5.
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não julgueis e não sereis julgados.
Segundo o julgamento que fizerdes sereis julgados, segundo a medida com que medirdes vos será medido.
Porque olhas o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
Como poderás dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, enquanto a trave está na tua?
Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão».

Comentário do dia 

Doroteu de Gaza (c. 500-?), monge na Palestina 
Carta 1
«Então verás claro»
Certas pessoas convertem em maus humores todos os alimentos que absorvem, mesmo que sejam alimentos de boa qualidade. A responsabilidade não é dos alimentos, mas do temperamento dessas pessoas, que altera os alimentos. Da mesma maneira, se a nossa alma tiver uma disposição má, tudo lhe fará mal; até as coisas vantajosas serão por ela transformadas em coisas prejudiciais. Não é verdade que, se deitarmos umas ervas amargas num pote de mel, as ervas alteram todo o conteúdo do pote, tornando amargo o mel? É isso que nós fazemos: espalhamos um pouco do nosso azedume e destruímos o bem do próximo, olhando para ele a partir da nossa má disposição.

Há outras pessoas que têm um temperamento que transforma tudo em bons humores, incluindo os alimentos nocivos. […] Os porcos têm uma excelente constituição. Comem cascas, caroços de tâmaras e lixo. Contudo, transformam estes alimentos em viandas suculentas. Também nós, se tivermos bons hábitos e um bom estado de alma, tudo poderemos aproveitar, incluindo aquilo que não é aproveitável. Muito bem diz o Livro dos Provérbios: «Quem olha com doçura obterá misericórdia» (12,13). Mas também: «Todas as coisas são contrárias ao homem insensato» (14,7).

Ouvi dizer de um irmão que, quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela descuidada e desordenada, pensava: «Que feliz que é este irmão, que está completamente desprendido das coisas terrenas, elevando totalmente o seu espírito para o alto, de tal maneira que nem tem tempo para arrumar a cela!» Quando ia visitar outro irmão e encontrava a cela arrumada e em boa ordem, pensava: «A cela deste irmão está tão arrumada como a sua alma. Tal como a sua alma, assim é a sua cela.» E nunca dizia de nenhum deles: «Este é desordenado», ou: «Este é frívolo.» Graças ao seu excelente estado de alma, de tudo tirava proveito. Que Deus, na sua bondade, nos dê também um estado bom para que possamos tudo aproveitar, sem nunca pensarmos mal do próximo. Se a nossa malícia nos inspirar juízos e suspeitas, transformemo-os rapidamente. Pois não ver o mal do próximo engendra, com a ajuda de Deus, a bondade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

terça-feira, 22 de julho de 2014

História de sabedoria de vida... ou os dois lobos que vivem no coração de cada um de nós

Um velho índio estava a falar com o seu neto e contava-lhe:
"Sinto-me como se tivesse dois lobos lutando no meu coração. 
Um é um lobo irritado, violento e vingativo. 
O outro está cheio de amor e compaixão."

O neto perguntou:
"Avô, diga-me, qual dos dois ganhará a luta no seu coração?"

O avô respondeu:
"Aquele que eu alimente."